Estudo Metanalítico de Programas de Aumento da Empregabilidade e da Renda (2017)
Estudo Metanalítico de Programas de Aumento da Empregabilidade e da Renda (2017)
Qual era o objetivo?
Quantificar e estudar padrões de efetividade de programas de aumento do emprego e da renda ao redor do mundo.
Onde e quando?
A metanálise foi realizada em meados dos anos 2000 e baseou-se em um processo de busca por estudos observacionaisOs estudos observacionais analisam dados coletados em situações em que os pesquisadores não têm controle sobre a exposição dos indivíduos à política ou ao programa social, baseando-se na observação das associações entre variáveis em seus contextos naturais. Nesse tipo de estudo, que frequentemente recebe o nome de "experimento natural" ou "quase-experimento", diferenças entre os grupos podem ser influenciadas por fatores que limitam a capacidade de estabelecer relações causais entre o programa e resultados de interesse. Estudos observacionais se apoiam nas metodologias modernas de inferência causal para contornar esse problema, construindo contrafactuais convincentes. e experimentaisOs estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado". publicados entre 1995 e 2014, sem impor restrições geográficas.
Como era o desenho?
Os estudos considerados para inclusão avaliaram iniciativas de aumento do emprego e da renda, que ofereciam pelo menos um dos cinco tipos de programa:
- formação profissional e desenvolvimento de habilidades em entidades qualificadoras ou no ambiente de trabalho;
- programas de apoio à busca por emprego;
- monitoramento e sanções a indivíduos desempregados que não cumpriam condicionalidades de busca por um trabalho;
- emprego subsidiado no setor público;
- emprego subsidiado no setor privado.
O principal critério de qualidade para inclusão na amostra final de estudos foi o uso de metodologias modernas de inferência causal e de microdados. Foram selecionadas, ao final, 207 avaliações de impacto e os autores utilizaram métodos estatísticos de metanálise e metaregressão para quantificar o impacto médio e analisar como esse impacto se associava a características dos programas. A amostra final de coeficientes das metaregressões totaliza 857 estimativas de impacto.
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas, no artigo listado na seção abaixo, as seguintes evidências:
- entre os estudos que avaliavam impacto sobre emprego, foram encontradas estimativas médias de efeitos positivos, que cresciam ao longo do tempo:
- para o curto prazo (em até 1 ano após a implementação) as estimativas encontradas tinham valor médio de 1,6 pontos percentuais, passando para 5,4 pontos percentuais no médio prazo (de 1 a 2 anos após) e para 8,7 pontos percentuais no longo prazo (mais de 2 anos após a implementação) [1];
- existem, além disso, padrões temporais divergentes de concretização dos impactos de cada tipo de programa ao longo do tempo:
- no curto prazo, programas de apoio à busca por emprego tiveram impactos maiores e programas de formação profissional e desenvolvimento de habilidades tiveram impactos menores do que outros tipos [1];
- já no médio e longo prazo, programas de formação profissional tiveram efeitos mais expressivos do que outros tipos de programa, o que sugere ganhos maiores no longo prazo para programas que enfatizam a formação de capital humano [1];
- existe um alto grau de heterogeneidade no impacto dos programas, e eles tendem a ser mais efetivos para mulheres e pessoas que estavam em situações de desemprego por períodos longos [1];
- por fim, não foram encontradas evidências de que estudos observacionais (não-experimentais) apresentaram estimativas maiores de impacto do que os estudos experimentais, e nem que artigos publicados continham estimativas sistematicamente maiores de efeitos do que artigos não publicados [1].
Quais as fontes da informação?
- Card, D., Kluve, J., & Weber, A. (2010). Active Labour Market Policy Evaluations: A meta‐Analysis. The Economic Journal, 120(548), F452-F477.
- Card, D., Kluve, J., & Weber, A. (2017). What Works? A Meta Analysis of Recent Active Labor Market Program Evaluations. Journal of the European Economic Association, 16(3), 894-931.