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Entrega Domiciliar de Água Potável para Famílias Rurais na Índia

Avaliação de Impacto
Publicado em 02/10/2026
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Qual era o objetivo?

Ampliar o acesso de famílias rurais de baixa renda à água potável por meio do tratamento descentralizado e da entrega diretamente nos domicílios, reduzindo os custos monetários e não monetários associados à obtenção e ao tratamento da água.

Onde e quando?

A intervenção foi implementada em áreas rurais do estado de Odisha, na Índia, entre 2022 e 2023.

Odisha apresentava baixos níveis de acesso à água potável. Em 2021, 83% dos domicílios rurais do estado ainda não tinham acesso a água encanada, e uma pesquisa de 2023 encontrou falta de acesso seguro à água potável para 41% da população nos vilarejos avaliados.

Como era o desenho?

A Spring Health utilizava tratamento descentralizado da água, geralmente com uma unidade por vilarejo. A água de fontes locais era tratada utilizando energia solar e processos de filtragem e desinfecção, colocada em recipientes reutilizáveis lacrados e entregue diretamente na residência das famílias várias vezes por semana.

A entrega domiciliar buscava eliminar parte dos custos associados a outras formas de acesso à água segura: as famílias não precisavam tratar a água em casa, deslocar-se para buscá-la nem transportá-la em recipientes abertos, reduzindo também o risco de recontaminação durante o transporte

O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?

Foram documentadas as seguintes evidências sobre a entrega domiciliar de água tratada:

  • a demanda foi muito alta quando o serviço era gratuito ou fortemente subsidiado:
    • aproximadamente 90% das famílias solicitaram água quando ela era gratuita, e a adesão chegou a cerca de 89% com desconto de 90% [1];
    • a demanda permaneceu estável ao longo dos meses [1];
  • entre as famílias que solicitavam água, a quantidade consumida era elevada e pouco sensível ao preço:
    • em média, os volumes se aproximavam da quantidade necessária para suprir as necessidades de água para beber do domicílio [1];
  • a cota gratuita de até 400 litros aumentou o consumo em cerca de 270 litros por mês, mas as famílias não esgotavam sistematicamente o limite disponível, indicando pouca evidência de desperdício mesmo com preço zero [1];
  • a entrega domiciliar reduziu o tempo gasto para buscar água:
    • a redução foi de aproximadamente 4,8 minutos por dia com descontos, 9 minutos com o direito conversível em dinheiro e 12,6 minutos com a cota gratuita, frente a uma média de 32 minutos no grupo de comparação [1];
  • o acesso à água tratada melhorou indicadores autorrelatados de saúde. As estimativas por variáveis instrumentaisMétodo estatístico usado para estimar o efeito de uma variável sobre um resultado quando há risco de que a relação observada esteja distorcida por seleção, causalidade reversa ou fatores não observados. A estratégia usa uma variável externa, chamada instrumento, que afeta a participação no programa ou a exposição analisada, mas não deveria afetar diretamente o resultado, exceto por esse canal. Quando essa hipótese é plausível, o método ajuda a construir uma comparação mais próxima de um contrafactual. indicam reduções no número de pessoas doentes no domicílio entre aproximadamente 23% e 62%, dependendo do braço, e também menor probabilidade de faltar ao trabalho por doença em parte das especificações [1];
  • as famílias demonstraram atribuir valor elevado à água potável entregue em casa:
    • a disposição média a pagar foi estimada em cerca de 132 rúpias por mês, enquanto as famílias do braço com direito conversível continuaram escolhendo água mesmo quando precisavam abrir mão de até aproximadamente 420 rúpias mensais para recebê-la [1].

Em síntese, tratar a água de forma descentralizada e entregá-la diretamente nos domicílios produziu adesão elevada e persistente quando o preço era baixo ou nulo, reduziu o tempo dedicado à coleta de água e melhorou indicadores autorrelatados de saúde. A elevada demanda mesmo quando as famílias podiam trocar o benefício por dinheiro indica que parte da baixa adesão observada em outras tecnologias de tratamento pode refletir os custos e inconvenientes dessas tecnologias, e não uma baixa valorização da água potável pelas famílias.

  1. Burlig, F., Jina, A., & Sudarshan, A. (2025). The Value of Clean Water: Experimental Evidence from Rural India. NBER Working Paper No. 33557.
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