Atendimento Individualizado para Ampliar o Acesso a Benefícios Sociais entre Desempregados na França — Rendez-vous des droits élargi
Atendimento Individualizado para Ampliar o Acesso a Benefícios Sociais entre Desempregados na França — Rendez-vous des droits élargi
Qual era o objetivo?
Ampliar o acesso a benefícios sociais entre pessoas desempregadas de baixa renda, identificando benefícios aos quais poderiam ter direito e reduzindo as dificuldades envolvidas no processo de solicitação.
Onde e quando?
O Rendez-vous des droits élargi (RDVDE) foi implementado na França, no último trimestre de 2017, por meio de uma parceria entre a Caisse Nationale des Allocations Familiales (CNAF), o Ministério dos Assuntos Sociais e da Saúde e o Pôle Emploi.
A intervenção ampliava uma iniciativa já existente da CNAF, o Rendez-vous des droits, criado em 2014 para identificar benefícios potencialmente não utilizados por pessoas já conhecidas pelos serviços sociais.
O RDVDE passou a alcançar também pessoas de baixa renda registradas como desempregadas no Pôle Emploi, muitas das quais ainda não estavam cadastradas na CNAF. Foram priorizados dois grupos:
- pessoas que haviam se registrado como desempregadas entre um e três meses antes e não tinham episódio recente de desemprego;
- pessoas cujo direito ao seguro-desemprego terminaria em até três meses.
Indivíduos com valores mais elevados de seguro-desemprego foram excluídos, de modo a concentrar a intervenção em uma população com maior probabilidade de ter se tornado elegível a benefícios sociais após uma queda de renda.
Como era o desenho?
O RDVDE consistia em uma reunião de aproximadamente uma hora com um profissional dos serviços sociais.
No início do encontro, o agente fazia perguntas sobre:
- composição familiar;
- situação ocupacional;
- renda do domicílio.
A partir dessas informações, utilizava uma árvore de decisão para identificar quais benefícios deveriam ser discutidos. O profissional também podia consultar critérios de elegibilidade e utilizar simuladores online para avaliar situações específicas.
A intervenção abrangia 15 benefícios sociais, agrupados em:
- benefícios familiares e habitacionais;
- benefícios de saúde;
- benefícios de complementação de renda para pessoas empregadas ou desempregadas.
Quando era identificada uma possível elegibilidade, o profissional explicava os procedimentos necessários para solicitar o benefício.
Nos benefícios administrados pela própria CNAF — familiares, habitacionais e de renda — o agente podia iniciar a solicitação durante a reunião. Para benefícios de saúde, administrados por outra instituição, podia apenas fornecer informação e orientação.
As reuniões podiam ocorrer presencialmente ou por telefone. A maior parte era agendada após contato ativo da central da CNAF, que podia tentar ligar até três vezes para cada pessoa convidada.
A avaliação constitui um estudo experimental Os estudos experimentais utilizam mecanismos aleatórios (isto é, sorteios) para definir quem será e quem não será contemplado por um determinado programa ou política pública, garantindo que as diferenças futuras entre estes grupos possam ser atribuídas com maior credibilidade à intervenção em si — e não a diferenças entre quem é e quem não é "tratado"..
O que aprendemos com o monitoramento e avaliação?
Foram documentadas as seguintes evidências sobre o RDVDE:
- o convite para participar do RDVDE aumentou em 1,74 ponto percentual O efeito de um programa em termos percentuais (%) é diferente do efeito do programa em pontos percentuais! Por exemplo, se uma variável binária teria média de 10% na ausência da iniciativa, um impacto de 5 pontos percentuais representa um aumento de 50% (=5/10). a probabilidade de receber algum novo benefício nos seis meses seguintes, frente a 26,7% no grupo de comparação [1];
- entre as pessoas cuja participação na reunião foi induzida pelo convite, o atendimento aumentou em 8,15 pontos percentuais a probabilidade de receber um novo benefício, equivalente a um aumento de aproximadamente 29% [1];
- o maior efeito ocorreu nos benefícios de complementação de renda: participar da reunião aumentou seu acesso em 7,04 pontos percentuais, ou cerca de 44% em relação ao grupo de comparação [1];
- o acesso a novos benefícios familiares e habitacionais aumentou 2,55 pontos percentuais, aproximadamente 21%, entre os participantes cuja presença foi induzida pelo convite [1];
- não foram encontrados efeitos estatisticamente significantes Chamam-se de estatisticamente significantes as estimativas de impacto que são distinguíveis de 0, após incorporadas à análise as incertezas associadas à generalização para outras amostras de indivíduos. sobre o acesso a benefícios de saúde, para os quais os agentes da CNAF não podiam iniciar diretamente a solicitação [1];
- os efeitos foram maiores para benefícios com formulários de solicitação mais complexos, reforçando a interpretação de que a assistência para enfrentar procedimentos administrativos era um componente importante do programa [1];
- as diferentes versões das cartas, incluindo mensagens informativas e de redução do estigma, não aumentaram adicionalmente o acesso aos benefícios; tampouco houve diferença clara entre oferecer inicialmente atendimento telefônico ou apenas presencial [1].
Em síntese, oferecer atendimento individualizado com um profissional dos serviços sociais aumentou o acesso a benefícios entre pessoas desempregadas, especialmente quando o próprio agente podia ajudar a iniciar a solicitação. Os resultados são consistentes com a interpretação de que barreiras administrativas e custos de transação eram mais importantes do que a simples falta de informação para explicar parte do não acesso aos benefícios.
Quais as fontes da informação?
- Castell, L., Gurgand, M., Imbert, C., & Tochev, T. (2025). Take-up of Social Benefits: Experimental Evidence from France. American Economic Journal: Economic Policy, 17(4), 1–29.
