Prêmio Imds-SBE divulga vencedores

Da esquerda para a direita: Diogo G. C. Britto, Breno Sampaio, Sergio Guimarães e Flávia Chein - Crédito: Bianca Claret / Divulgação SBE

Prêmio Imds-SBE divulga vencedores

Trabalhos investigaram impactos do contexto social, desemprego e abordagem dos professores no desempenho escolar

O Imds e a Sociedade Brasileira de Econometria anunciaram os vencedores do Prêmio Imds-SBE durante o 45º encontro desta instituição. Os premiados foram “The Kids Aren’t Alright: Parental Job Loss and Children’s Outcomes Within and Beyond Schools”, de Diogo G. C. Britto, Caique Melo e Breno Sampaio, que ficou em primeiro lugar. Já o segundo lugar foi para “Teacher Mindsets and Student Learning: A Randomized Intervention in Rio de Janeiro”, de Tássia Cruz. 

Os trabalhos, individuais ou coletivos, deveriam abordar um dos seguintes eixos temáticos: capacitação cognitiva e socioemocional de crianças, adolescentes e jovens; educação básica; Atenção à saúde de crianças, adolescentes e jovens; Apoio à gestação; e Capacitação e inclusão produtiva de jovens.

Os prêmios foram entregues pelo diretor de pesquisas do Imds, o economista Sergio Guimarães Ferreira, durante a cerimônia de premiação realizada no dia 14 de dezembro, no Rio de Janeiro. 

Paulo Tafner, diretor-presidente do Imds, abriu a sessão de apresentação dos estudos com um agradecimento à SBE e aos autores que inscreveram os trabalhos. Tafner relembrou a premiação do ano anterior e falou sobre a organização de uma terceira edição em 2024, destacando a parceria entre o Imds e a SBE.

O artigo vencedor investiga os efeitos da perda do emprego e como essa dinâmica afeta não só o mercado de trabalho, mas outras dimensões da sociedade moderna, como o crime e a distribuição da violência. O foco principal foi estudar o efeito desse fenômeno nas crianças de famílias que sofrem com o desemprego, em específico no seu desempenho escolar. A segunda motivação foi entender o papel do seguro-desemprego a partir de uma regressão de continuidade.  A ideia foi comparar trabalhadores que foram demitidos em datas próximas, mas que por algum motivo não tiveram acesso ao apoio do seguro-desemprego.

A partir de um cruzamento de dados da RAIS e das bases do censo escolar (2014), os pesquisadores analisaram a última década da sociedade brasileira e a relação entre pais que perderam emprego em demissões em massa entre 2015 e 2016 com o desempenho escolar dos filhos. Para cada pai que perde o emprego e tem filho na escola, os autores buscaram um outro pai, que trabalha em um setor parecido e recebe um salário próximo, com filho em uma progressão escolar parecida e compararam as trajetórias dessas duas crianças com o passar do tempo - a criança da família que sofreu como desemprego e a criança do pai que não foi demitido.

Algumas das conclusões desse estudo são o entendimento de que os efeitos desse desemprego em massa são difusos e negativos para além do eixo da educação, e interfere no desenvolvimento dessas crianças em âmbitos econômicos e sociais. Entende-se, também, que o papel da renda é mais influente do que o da educação dos pais nesse progresso de desempenho dos filhos. Por último, os pesquisadores concluíram que o acesso ao seguro-desemprego de fato mitiga e auxilia no processo de desenvolvimento dessas crianças.

Da esquerda para a direita: Tássia Cruz, Sergio Guimarães e Flávia Chein - Crédito: Bianca Claret / Divulgação SBE

O trabalho premiado em 2º lugar foi realizado a partir de uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e envolveu diversos professores e formadores. Tássia Cruz explicou que o objetivo foi analisar e entender como o growth mindset, que ela chama de crenças em relação à inteligência e ao modo de pensar dos professores, afeta o aprendizado dos alunos. O mindset explora a ideia de que a inteligência e as habilidades de uma criança não são algo fixo e pré-estabelecido, e que esses componentes podem evoluir com a influência correta. A literatura não descarta o impacto do contexto social, a influência de familiares e das expectativas colocadas nesses alunos em seu desempenho acadêmico, mas busca analisar especificamente o impacto do mindset nos professores e como isso afeta a sua prática pedagógica. 

As duas perguntas principais de pesquisa foram: é possível afetar o mindset dos professores? E como o growth mindset desses professores afeta seus alunos? A partir dessas perguntas, a pesquisadora analisou como a intervenção dessa pesquisa afetou os resultados dos alunos nas disciplinas de Português e Matemática, e como o crescimento do mindset dos professores afetou esse aprendizado. A hipótese foi de que a mudança nas crenças pode  ajudar os professores a desenvolver melhores práticas pedagógicas --importante para melhorar o aprendizado dos alunos.

O estudo foi realizado a partir do projeto Randomized Control Trial, que consta na organização de oficinas com os professores selecionados. A pesquisa demandou cinco encontros de duas horas entre abril e março de 2021. 178 escolas participaram mas, no final, a pesquisa recuperou os dados completos de 152 escolas. Com um encontro por semana, os pesquisadores usaram a ferramenta TeachPlus, que analisa o desempenho do professor e se ele consegue engajar o aluno que estereotipicamente é o mais bagunceiro e não presta atenção na aula, e analisam sua prática pedagógica. A conclusão desse artigo mostra que a melhora no mindset dos professores afetou o desempenho dos alunos e que os alunos de professores com maior growth mindset têm melhor desempenho.