| Olá, *|NOME|* O Imds apresenta neste final de novembro um trabalho inédito em nível nacional: trata-se da construção da tabela de esperança de vida para brancos e negros e para homens e mulheres, fruto de mais uma parceria do instituto –desta vez com os pesquisadores Cássio Turra e Laura Andrade, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG). As equipes trabalharam mais de seis meses para chegarem aos resultados.
Como se sabe, o IBGE revisou recentemente a estimativa de esperança de vida do brasileiro ao nascer: 76,6 anos, em média, para os nascidos em 2023. Mulheres deverão viver 79,8 e os homens 73,3 anos, uma diferença de 6,5 anos. A expectativa de vida de homens e mulheres também foi mapeada pelo IBGE por unidades da federação, revelando diferenças na pirâmide etária entre as regiões do país.
Mas o que diz o IBGE sobre esperança de vida por cor ou raça? Qual é a diferença atual na expectativa de vida ao nascer entre negros e brancos? Essa esperança de vida varia ao longo da vida dos indivíduos? Homens e mulheres negros e brancos reproduzem a diferença observada quando se comparam apenas homens e mulheres? O trabalho do Imds teve o objetivo de investigar essas questões e estimar as tábuas de esperança de vida por sexo e cor/raça. Os resultados, divulgados nesta semana pela imprensa e que podem ser acessados na íntegra em nosso site, indicam que mulheres brancas nascidas entre 2010 e 2019 terão esperança de vida de 80,06 anos, e as negras, 76,01 anos. Homens brancos terão esperança de vida de 74,52 anos, enquanto negros somente 68,65 anos, uma diferença de 5,87 anos. Essa diferença, contudo, é decrescente de acordo com a idade. Quando atingem 40 anos, a diferença na expectava de vida cai para 2,96 anos, entre mulheres, e para 3,0 anos, entre homens. Quando atingem 60 anos, a diferença reduz para 1,98 anos entre mulheres e 1,54 anos para os homens. E ao atingirem 70 anos a diferença, tanto para homens quanto para mulheres, é de aproximadamente 1 ano (1,37 para mulheres e 0,98 para homens). O que isso indica? Que a diferença de esperança de vida ao nascer é fortemente determinada pelos primeiros 30 anos de vida entre brancos e negros. Entre os homens, 10% da diferença decorrem da mortalidade nos primeiros anos de vida (0-4 anos), e cerca de 38% derivam da maior probabilidade de morte de homens negros na faixa etária de 15-34 anos: 83,6% da diferença de mortalidade nessas idades são atribuídos à violência, curiosamente denominada no SUS de “causas externas”. É inegável que um esforço para contenção da violência tende a beneficiar negros, reduzindo substancialmente a diferença de esperança de vida e a desigualdade de bem-estar. Ressalte-se que as taxas de homicídio segundo a cor/raça são distribuídas de forma heterogênea no território, mas muito pouco pronunciadas. Segundo o “Atlas da Violência” de 2024, a taxa de homicídios de negros em Salvador é de 70,2 por cem mil e, na cidade de São Paulo, de 4,1 por cem mil. Em relação às mulheres, a diferença na esperança de vida ao nascer entre brancas e negras é de 4,05 anos (respectivamente, 80,06 anos e 76,01 anos), disparidade concentrada entre 35 e 59 anos, faixa de maior mortalidade entre mulheres negras causada por neoplasias e doenças respiratórias, na comparação com brancas. E, assim como no caso dos homens, mulheres negras também tem uma maior mortalidade na faixa 0-4 anos. Um reforço do acompanhamento médico dos indivíduos mais pobres, desde a gestação até a vida adulta, depende da combinação eficiente de assistência social e atenção básica, para identificar os mais vulneráveis e agir tempestivamente. Ao reunir os dados sobre a desigualdade na expectativa de vida entre brancos e negros, torna-se evidente a urgência no aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas para a superação de problemas estruturais do país. Políticas focadas nos mais vulneráveis podem efetivamente fazer desaparecer ou pelo menos reduzir de forma acentuada a diferença identificada. Em breve traremos novas informações sobre o tema. Até a próxima "Carta do Imds"! Paulo Tafner Diretor-presidente |