Aprender a ler significa aprender a decodificar. Alfabetizar significa ensinar a decodificar. Quando uma criança não domina essa habilidade, sua trajetória escolar fica comprometida. O país perde talentos e a economia paga a conta com produtividade baixa.
A pergunta sobre como garantir que todas as crianças aprendam a ler e a escrever na idade adequada suscita discussões acaloradas sobre o que ensinar, como ensinar e quando iniciar esse processo. O debate gira em torno das abordagens teóricas que orientam o ensino da leitura e da escrita e dos métodos que se derivam dessas abordagens.
Esse embate não é exclusivo do Brasil. No cenário internacional, ficou conhecido como reading wars, ou the great debate. De um lado, a abordagem fônica, fundamentada em evidências da ciência cognitiva da leitura, defende o ensino explícito e sistemático das correspondências entre grafemas e fonemas. De outro, a abordagem conhecida como whole language, valoriza a exposição a textos autênticos e a construção de sentido como via principal para a aprendizagem da leitura.
A Ciência Cognitiva da Leitura, consolidada nas últimas décadas como campo interdisciplinar (Snow & Hulme, 2013), tem fornecido evidências robustas sobre os processos de aprendizagem da leitura e sobre os fundamentos que devem orientar sua instrução. Ao integrar neurociência, psicologia cognitiva, linguística e educação, esse campo rompeu com abordagens intuitivas ou exclusivamente filosóficas, oferecendo uma base empírica consistente para pensar a alfabetização.
E essas evidências empíricas são unânimes: o método fônico é o método aderente ao processo de aprendizado e domínio da linguagem. Praticamente todos os países desenvolvidos do mundo adotam o método fônico para alfabetizar suas crianças. Apesar de evidente, aqui no Brasil, sua adoção encontra enormes resistências.
O Projeto Pisa 2037 tem por objetivo discutir e propor soluções para melhorar nossa educação e indicar o que deveria ser feito enquanto política pública para que as crianças que atualmente estão se alfabetizando possam chegar em 2037 com possibilidades de atingir os resultados médios dos países da OCDE.
Ao longo do ano iremos apresentar a evolução do projeto e os resultados obtidos.
Que 2026 venha repleto de esperança, saúde, alegria e realizações.