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Carta do Imds - 06 de Fevereiro de 2024
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2024 - Edição 38 | 06 de fevereiro

O que melhor avalia o bem-estar das famílias, renda ou consumo?

Imds lança nova ferramenta que permitirá a pesquisadores, gestores públicos, organizações sociais e cidadãos analisar em detalhes a realidade socioeconômica no Brasil

Olá, *|NOME|*

    A renda é o indicador mais comum para avaliar o bem-estar econômico das famílias, mas nem sempre é o mais adequado. Há diversas razões para considerar o consumo, ou seja, o quanto as pessoas gastam em alimentos, saúde, educação, moradia, transporte e outros bens e serviços, como uma medida mais precisa das condições de vida de uma população.

      A renda corrente tende a oscilar mais do que o bem-estar econômico, pois as pessoas podem poupar quando a renda é temporariamente alta e recorrer à poupança ou ao crédito quando é baixa. Por outro lado, o consumo parece estar mais associado à renda permanente ou de longo prazo dos indivíduos.

      A renda também não reflete adequadamente o fluxo de serviços que alguém usufrui se já possui uma casa ou um carro, e não tem desembolsos, mas um consumo significativo. E ainda, a renda não capta transferências não monetárias feitas pela prestação de serviços públicos como saúde, educação e outros.

          Outro aspecto importante em favor do consumo para se aferir o bem-estar das famílias é o fato de ser mais adequado para revelar situações de privação. As medidas de dificuldade material ou de resultados familiares negativos são mais graves para aqueles com baixo consumo do que para aqueles com baixa renda, e um detalhamento da cesta de consumo de alimentos (e da absorção de calorias a estes associada), permite identificar dentre os pobres aqueles que devem ser objeto de programas sociais de suporte calórico e proteico.

      Exatamente por conta dessas razões, o Imds se dedicou a explorar uma base de dados dedicada à análise do consumo das famílias. Essa fonte de dados tão importante e rica para analisar o consumo das famílias brasileiras é a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE. Essa pesquisa investiga os orçamentos domésticos, as condições de vida e os aspectos de nutrição das famílias brasileiras, tanto nas áreas urbanas quanto nas rurais. A última edição da POF foi realizada entre julho de 2017 e julho de 2018. Entre as principais informações divulgadas pela POF estão as despesas de consumo, abertas por categorias como alimentação, saúde e educação. Esses dados permitem comparar o padrão de consumo e de bem-estar das famílias em diferentes regiões, classes de renda e características demográficas.

        O Imds lança um novo painel de indicadores que utiliza essas informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2017/2018. Esse painel é uma ferramenta interativa e dinâmica que permite visualizar e analisar os principais indicadores de consumo das famílias brasileiras, bem como os fatores que os influenciam, como a educação, a saúde, a habitação e o transporte. O painel também possibilita a comparação entre diferentes regiões e estados, além de oferecer filtros por características pessoais e do domicílio.

      Por exemplo, é possível rapidamente verificar que a despesa não monetária com educação na Bahia é maior entre indivíduos pretos do que entre brancos (R$ 21,1 para pretos e R$ 14,3 para brancos), ocorrendo o inverso em São Paulo (R$ 24,0 para brancos e R$ 11,3 para pretos). E muitas outras informações podem ser obtidas de maneira intuitiva e rápida.

    Um dos indicadores que o painel apresenta é o padrão de consumo das famílias brasileiras, que variou muito de acordo com a região e a renda. Em média, cada pessoa gastou R$ 1.548,01 por mês e a alimentação foi a maior despesa, representando 15,2% do total. No entanto, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste tiveram um padrão de consumo muito mais alto do que as regiões Norte e Nordeste. Por exemplo, o consumo médio familiar per capita mensal do Centro-Oeste foi de R$ 1.944,40, enquanto o da região Norte foi de R$ 897,34. Além disso, a região Norte gastou proporcionalmente mais com alimentação no domicílio (19,0%) do que a região Sudeste (13,6%).

     O painel mostra como as famílias brasileiras distribuem suas despesas com saúde, educação e alimentação, principais componentes do orçamento familiar. Essas despesas variam significativamente entre as regiões, refletindo as diferenças de renda, hábitos e necessidades da população. A região Sudeste foi a que teve a maior despesa mensal com saúde e com educação (R$ 139,31 e R$ 136,40, respectivamente, enquanto a região Sul foi a que teve a maior despesa com alimentação (R$ 267,31 por mês). No extremo oposto, a região Norte foi a que teve a menor despesa mensal com saúde, com alimentação e também com educação (R$ 46,62, R$ 170,33, e R$ 36,65, respectivamente).

   A ferramenta revela ainda a alta desigualdade no consumo em relação à distribuição de renda das famílias brasileiras. Os 20% mais ricos tiveram uma despesa média mensal com consumo de R$ 3.885,62 por pessoa, mais de 7 vezes superior ao consumo dos 20% mais pobres, que gastaram R$ 505,40 a cada mês. Essa é mais uma das facetas da elevada desigualdade no Brasil. Nesse caso, porém, muito mais grave do que a desigualdade, é o fato de que os estratos sociais mais pobres têm insuficiência de renda que podem colocar em risco o devido acesso a serviços de educação, de saúde e, no limite, até de alimentação, bem como restrições nas condições de habitação e transporte.

     Esperamos que este novo painel de indicadores seja uma ferramenta útil para pesquisadores, gestores públicos, organizações sociais e cidadãos interessados em conhecer melhor a realidade socioeconômica das famílias brasileiras e em acompanhar a evolução desses indicadores ao longo do tempo. Para acessar o painel interativo, onde é possível visualizar e analisar os principais indicadores da pesquisa, basta clicar neste link. E para saber mais sobre a metodologia e o funcionamento do painel, confira o guia de uso no link, que explica tudo em detalhes.

     Até a próxima "Carta do Imds"!

     Paulo Tafner

     Diretor-presidente


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Enviado por Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social – Imds

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