A região Centro-Sul do país é a que melhor combina mobilidade social com inclusão produtiva, com destaque particular ao estado de Santa Catarina. A região Nordeste atinge valores intermediários, enquanto a região Norte atinge a menor combinação de mobilidade social e inclusão produtiva no território nacional.
Para compreender quais características estão associadas a altas taxas de mobilidade social e inclusão produtiva, o artigo utiliza os dados disponibilizados pelo projeto "Eleições Municipais 2024: Indicadores Municipais", elaborado pelo Imds, que compila indicadores municipais de 2016 a 2019 sobre os seguintes temas: educação; trabalho e renda; habitação e saneamento; saúde; segurança; pobreza.
Essa análise sugere que municípios que atingem simultaneamente mobilidade social e inclusão produtiva são, sobretudo, aqueles com alta cobertura e qualidade educacional. Outras variáveis relevantes são boas condições de emprego e remuneração no mercado de trabalho local e infraestrutura adequada de moradia e saneamento. Embora apenas ilustrativas, essas correlações sugerem que as variações de mobilidade social e inclusão produtiva no território podem estar relacionadas a diferenças entre os municípios na provisão de serviços públicos, como educação, emprego e habitação.
No plano individual, a escolaridade também tem grande importância. Entre os jovens egressos do Bolsa Família que acessaram o mercado formal entre 2015 e 2019, aqueles com ensino superior completo permanecem, em média, 0,7 ano a mais no emprego formal em comparação com aqueles que não concluíram o 5º ano do ensino fundamental — um aumento de 23,7% no tempo de permanência. Os ganhos crescem a cada nível educacional adicional, reforçando que investir em educação pode ser uma alavanca poderosa para a inclusão produtiva duradoura.
Com base nessas evidências, o artigo apresenta três recomendações de política pública. A primeira é a customização das políticas de inclusão produtiva de acordo com o perfil de cada trabalhador: os mais escolarizados se beneficiam de serviços de intermediação com as empresas; os menos escolarizados precisam primeiro de qualificação profissional. A segunda recomendação é o uso de inteligência artificial para criar sistemas de intermediação mais eficientes entre vagas e candidatos e fazer a conexão com programas de qualificação. A terceira é o desenvolvimento de mecanismos territorializados de mapeamento de vagas. Estudos mostram que cursos desenhados a partir da demanda das empresas locais geram impacto muito superior em empregabilidade.
O artigo integra o Volume 3 do estudo "Caminhos do Desenvolvimento: Estabilizar, Crescer, Incluir", coordenado pelo Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), e reforça a agenda do Imds de produzir conhecimento aplicado sobre mobilidade social no Brasil.