Conforme mostra a literatura, o método fônico tem um impacto relevante no processo de alfabetização, inclusive entre alunos de menor nível socioeconômico. Um exemplo emblemático é o programa Communication, Language and Literacy Development, da Inglaterra, que apresentou efeitos positivos tanto na etapa de implementação quanto nos anos seguintes. Aos sete anos de idade, houve melhora de 7,3% nos indicadores de leitura em relação à média. No longo prazo, por volta dos onze anos, o programa beneficiou especialmente alunos de nível socioeconômico mais baixo e aqueles que não eram falantes nativos de inglês, com aumento de cerca de 6% no desempenho em leitura.
Assim, a abordagem se apresenta como uma estratégia eficaz para melhorar o desempenho no processo de aprendizagem da leitura e reduzir disparidades associadas ao nível socioeconômico. Apesar disso, a adoção do método fônico encontra fortes resistências no Brasil. O debate frequentemente se apresenta polarizado, dificultando a compreensão de práticas baseadas em evidências.
A neurociência evidencia que o cérebro humano não é biologicamente programado para ler, mas pode ser moldado, se estimulado no momento certo. Por isso, a alfabetização no 1º ano do ensino fundamental é decisiva. É nesse período, entre os quatro e seis anos de idade, que a resposta da aprendizagem à instrução é mais elástica. Pequenos avanços em um ensino bem estruturado geram ganhos rápidos e duradouros.
Um conceito-chave discutido no workshop foi o Limiar da Alfabetização, que define critérios objetivos de proficiência, considerando o domínio técnico do código da escrita (precisão ao ler palavras), e o nível básico de fluência (o número de palavras corretas lidas por minuto). Ao atingir esse limiar, a criança passa a aprender pela leitura, ganha autonomia na ampliação do vocabulário e na compreensão do que lê. É possível cruzar esse limiar ainda no 1º ano escolar, com a aplicação de métodos corretos e rotinas diárias.
A literatura aponta o método fônico como um caminho promissor na missão de melhorar o desempenho da alfabetização no país, garantindo maior retorno em todo o ciclo educacional. Ajustar a base, de maneira técnica e objetiva, é a forma mais rápida e segura de gerar um impacto social efetivo, reduzir desigualdades e estabelecer as condições para promover uma escolarização adequada.