Para além da estimativa de reprovação ao final do ano, o Preditor deve ser compreendido como um indicador de vulnerabilidade acadêmica. Desempenho insuficiente nas disciplinas, frequência irregular, defasagens acumuladas e fatores de contexto produzem sinais precoces que, se não enfrentados com intervenções adequadas, tendem a elevar o risco de insucesso escolar.
Além das variáveis diretamente associadas ao desempenho acadêmico, como notas e frequência, os resultados evidenciam a centralidade do 6º ano como ponto crítico da trajetória escolar na rede estadual. Essa etapa, marcada pela transição dos estudantes dos anos iniciais para os anos finais, concentra maior incidência de reprovação.
De forma complementar, a distorção idade-série emerge como fator associado ao aumento do risco de reprovação. Mesmo quando considerados os indicadores de desempenho ao longo do ano letivo, a presença de defasagens acumuladas mantém influência significativa sobre a probabilidade de reprovação, evidenciando que vulnerabilidades construídas ao longo do percurso escolar continuam impactando os resultados.
Um dos principais diferenciais metodológicos do projeto é a incorporação estruturada de técnicas de Inteligência Artificial Explicável (XAI). Essa abordagem possibilita tanto análises globais — identificando os fatores mais relevantes associados ao risco de reprovação na rede — quanto análises individuais, permitindo compreender quais elementos específicos elevam ou reduzem a probabilidade de insucesso de cada estudante.
Para viabilizar a aplicação prática dos resultados na gestão educacional, as estimativas de probabilidade de reprovação foram organizadas em cinco faixas de risco: Crítico, Alto, Médio Superior, Médio Inferior e Baixo. A classificação por níveis permite estruturar respostas proporcionais à vulnerabilidade identificada. Estudantes na faixa crítica podem demandar intervenções pedagógicas mais intensivas e acompanhamento sistemático; níveis intermediários podem ser direcionados a estratégias de monitoramento e reforço focalizado; enquanto aqueles em baixo risco permanecem sob acompanhamento preventivo regular.
Além da análise individual, o modelo possibilita a visualização e o acompanhamento das informações de forma agregada, por turma, escola e município. Essa funcionalidade amplia o alcance estratégico da ferramenta, permitindo identificar padrões territoriais, apoiar o planejamento regional e orientar a alocação mais eficiente de recursos educacionais. Dessa forma, o Preditor de Reprovação não se limita à identificação de risco, mas estrutura um fluxo completo de apoio à decisão, fortalecendo uma gestão educacional orientada por evidências.
Como etapa seguinte do plano de trabalho, está prevista a ampliação do Preditor de Reprovação para o segmento do Ensino Médio da rede estadual. Essa expansão permitirá estender a lógica de identificação precoce da vulnerabilidade acadêmica para uma fase marcada por maiores riscos de evasão e abandono.
A implementação do Preditor de Reprovação representa um avanço na institucionalização do uso de ciência de dados aplicada à gestão educacional no Mato Grosso do Sul. Mais do que estimar probabilidades, a iniciativa fortalece a capacidade do estado de identificar vulnerabilidades, priorizar intervenções e promover trajetórias educacionais mais equitativas. Trata-se de um passo importante na consolidação de políticas públicas baseadas em evidências, com potencial de impacto direto na permanência, na aprendizagem e nas oportunidades futuras dos estudantes da rede estadual.