| Olá, *|NOME|* O tema da inclusão produtiva e da empregabilidade tem sido objeto de estudo do Imds. A ideia é que a capacitação profissionalizante bem-feita deve ser um mecanismo importante de inserção no mercado de trabalho e de mobilidade social para os mais pobres, especialmente para aqueles cujo acesso ao ensino superior de qualidade é mais difícil. Por isso, temos estudado o assunto de diferentes maneiras.
Uma nota técnica publicada pelo Imds (veja aqui) analisa diversas políticas e programas voltados para a empregabilidade juvenil, incluindo o impacto causal dessas intervenções sobre a inserção no mercado de trabalho, taxas de formalização e rendimentos. O acervo de programas de capacitação e intermediação de mão de obra presentes na nossa Plataforma Impacto é crescente (veja, por exemplo, aqui). Em parceria com os pesquisadores Raphael Corbi (Universidade de São Paulo - USP) e Matheus Leal (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome - MDS) temos estudado o impacto de médio prazo do programa Jovem Aprendiz federal sobre emprego formal e rendimentos (veja aqui). Além disso, estamos desenvolvendo uma pesquisa sobre o programa “Partiu Futuro” (eixo de aprendizagem em órgãos públicos), no escopo do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o estado do Rio Grande do Sul (veja aqui).
Em consonância com esses estudos, o Imds formalizou em junho um importante Acordo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do estado de São Paulo, com o objetivo de construir e fortalecer uma política de inclusão produtiva e empregabilidade. Esse acordo marca o início de um plano de trabalho estruturado em três metas principais, que visam analisar, desenhar e avaliar a intervenção proposta para melhorar o acesso ao mercado de trabalho e fomentar a geração de renda no estado. A primeira meta do plano de trabalho foca na análise do desenho e da estruturação da política integrada. Nessa etapa, será realizado um diagnóstico do problema enfrentado pela política atual e como ela se alinha com os resultados esperados. Isso inclui a construção da Teoria de Mudança do programa, importante ferramenta de análise, que mostra a forma como as atividades geram determinados produtos e resultados, partindo-se de determinadas premissas. A identificação e investigação dos riscos relacionados à intervenção também fazem parte desse processo, garantindo uma base sólida para as próximas fases. A segunda meta se concentra no desenho do sistema de monitoramento da intervenção. Baseando-se nas descobertas da primeira etapa, essa fase é composta por quatro subetapas: definição do escopo de monitoramento, construção de indicadores e métodos de coleta, sistematização do monitoramento e apoio na avaliação sistemática. Esse sistema será essencial para acompanhar a implementação e os resultados da política, permitindo ajustes contínuos e assegurando a eficácia da intervenção ao longo do tempo. A terceira meta é a avaliação ex-ante e a análise da viabilidade de avaliação de impacto, que busca mensurar o impacto potencial da política e verificar a viabilidade de uma avaliação mais aprofundada. Para isso, serão realizadas análises simultâneas às metas anteriores, utilizando revisões sistemáticas e simulações para estimar o impacto esperado. Além disso, será definido o escopo da avaliação e elaborado um plano detalhado, visando garantir que os objetivos da política sejam alcançados. Nesse contexto, o Imds realizou no final de julho uma oficina que contou com a participação engajada de 14 integrantes da SDE-SP e foi dedicada à definição de priorizações da política objeto do acordo. A preparação dessa oficina foi baseada em uma análise das normativas dos programas da Secretaria, dos pilares de atuação, dos objetivos das coordenadorias e das diretrizes discutidas em reuniões de trabalho. O objetivo da oficina foi identificar uma lista de priorizações da política, a partir de um conjunto abrangente de entraves que dificultam o atingimento do propósito: melhorar o acesso a oportunidades de trabalho e renda. Como resultado, a maioria dos entraves identificados está associada ao capital humano e à estrutura do mercado de trabalho, como a falta de qualificação adequada, o baixo desenvolvimento de habilidades socioemocionais e o desalinhamento entre as demandas do mercado e as qualificações profissionais disponíveis. Com essas priorizações, conseguimos esclarecer o escopo, as possibilidades e as intenções da SDE-SP no desenho da política. Ao final do encontro, a Secretária Executiva Juliana Cardoso ressaltou a importância da parceria com o Imds no processo de consolidação de uma política de inclusão produtiva e empregabilidade: “Para a gente, é muito importante essa participação do Imds nesse processo (...) de construção, validação, busca metodológica, monitoramento e avaliação do nosso impacto”, sublinhando a relevância do trabalho colaborativo para o sucesso da política. [assista ao vídeo aqui]. Em futuras edições desta Carta, traremos mais informações sobre o desenvolvimento desse trabalho. Até a próxima "Carta do Imds"! Paulo Tafner Diretor-presidente |