| Olá, *|NOME|* A condução de políticas públicas baseadas em evidências, tema que já abordamos em nossas cartas, tem sido um dos pilares do trabalho do Imds desde a sua fundação. Nesse campo, não existe um caminho único a ser seguido; temos explorado essa jornada por meio de diversas rotas. Uma das principais vias é a produção de indicadores e dashboards, que permitem que gestores e tomadores de decisão visualizem rapidamente métricas essenciais para identificar tendências e áreas que necessitem de atenção. Outro caminho é a formalização de Acordos de Cooperação Técnica, quando temos a oportunidade de produzir e customizar um plano de trabalho que envolva o aprimoramento de desenhos de programas, estruturação de teorias de mudança, apoio na construção de sistemas de monitoramento, avaliações “ex-ante” e análise de viabilidade de avaliações de impacto.
Seguindo nessa trajetória, em 2022 o Imds firmou um Acordo de Cooperação Técnica com a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Educação. Esse acordo teve dois objetivos fundamentais: desenvolver uma teoria de mudança para o “Bora Pra Escola”, um programa de busca ativa escolar (e finalista do prêmio Espírito Público. Ver aqui); o outro objetivo é criar um preditor de evasão escolar dos alunos, utilizando técnicas de ciência de dados. Essas ferramentas fazem parte do vasto conjunto de instrumentos que podem orientar a gestão pública, mas respondem a diferentes propósitos.
A Teoria de Mudança (TdM) é uma ferramenta de análise que pode ser desenvolvida para um projeto, programa ou política em diferentes estágios de implementação. Ela busca compreender as motivações para a construção e realização de um programa, as atividades e os recursos necessários para sua ocorrência e os atores envolvidos para que os efeitos sejam alcançados. De, portanto, refletir a forma como os idealizadores de um programa imaginaram solucionar um problema específico. Por essa razão, o envolvimento das equipes da Secretaria de Educação, responsável pela idealização e coordenação do programa, foi fundamental nesse processo. O resultado é representado pelo diagrama da TdM, que traz uma descrição abrangente e ilustrada, evidenciando a sequência de ocorrências com o auxílio de conectores, os quais determinam as relações entre um componente e outro e ajudam a visualizar a série lógica e a dependência de um componente em relação a outro. Isso faz da TdM uma poderosa ferramenta para garantir a clareza na comunicação sobre o programa. Outra utilidade da Teoria de Mudança é que ela facilita a criação de indicadores, podendo até mesmo ser um ponto de partida para o desenvolvimento de um sistema de monitoramento, que irá permitir avaliar o seu progresso e seus resultados ao longo do tempo. Essa será uma das finalidades da TdM que iremos desenvolver sobre a Política de Inclusão Produtiva de São Paulo, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado, formalizada por meio de um ACT.
Aqui também desenvolvemos um preditor experimental de evasão escolar. Esse preditor é um modelo matemático que utiliza algoritmos de machine learning para analisar dados e identificar alunos que estão em risco de abandonar a escola. O modelo fornece uma probabilidade de evasão para cada aluno, o que possibilita a aplicação de uma abordagem preventiva, ajudando a focalizar ações específicas para evitar a evasão escolar. Além disso, o preditor pode ser utilizado para otimizar recursos, priorizando esforços em áreas e grupos de alunos que mais necessitam de apoio, aumentando assim a eficiência e o impacto das ações do programa. Em continuidade a esses projetos, iniciamos recentemente um estudo sobre os determinantes da infrequência e vamos começar a trabalhar em um modelo preditivo de reprovação escolar. A importância de um preditor de reprovação reside em sua capacidade de fornecer, no início do ano, informações sobre os alunos mais propensos à reprovação ao final de um ano letivo. Com a identificação precoce de estudantes em risco, o preditor possibilita que a rede mobilize esforços para evitar que o fenômeno ocorra, como a oferta de uma atenção mais individualizada, com intervenções direcionadas aos alunos que mais precisam. Até a próxima "Carta do Imds"! Paulo Tafner Diretor-presidente |