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Carta do Imds - 31 de Outubro de 2023
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2023 - Edição 30 | 31 de outubro

Há mobilidade social na elite brasileira? Parte 2

Novo estudo do Imds mostra que a mobilidade no topo da pirâmide brasileira renovou 48% dos 100 mais ricos

 

Olá, *|NOME|*

     Na Edição 25 da Carta do Imds, enviada no último dia 22 de agosto, adiantamos para nossos leitores que o Imds estava realizando estudo para caracterizar as mudanças no topo na pirâmide brasileira e buscar identificar diferenças entre Brasil e outros países.

     Sabemos que diversos fatores influenciam transições de renda e riqueza ao longo da vida - e, portanto, a mobilidade social –, mas é plausível que esses fatores tenham pesos diferentes dependendo da posição na pirâmide social em que o indivíduo está. Para os mais pobres e mesmo para aqueles que se encontram no meio da pirâmide, além do empenho e esforço individual, o acesso à educação, à saúde, ao saneamento e a oportunidades de trabalho estão entre os fatores principais que podem produzir mobilidade social ascendente. Outros fatores poderiam ser agregados a essa lista, como, por exemplo, a região em que se dá a inserção produtiva do trabalhador, ou o setor de atividade em que ocorre a inserção – setores mais modernos e dinâmicos apresentam taxas de crescimento mais elevadas e, consequentemente, maiores oportunidade de crescimento individual.

     Por outro lado, os fatores que atuam na mobilidade de indivíduos no extremo superior da pirâmide estão associados à dinamicidade do ambiente de negócios, ao grau de liberdade dos indivíduos e às características institucionais que incentivem ou desincentivem o empreendedorismo. Em certa medida, também estão associados às características da organização política do país: países com forte concentração de poder político têm tendência a concentrar a riqueza em grupos de apoio e estabelecer barreiras de acesso a outros grupos. Nesse caso, a mobilidade no topo tende a ser reduzida. Em contraste, em países de capitalismo mais dinâmico e democrático a mobilidade no topo tende a ser mais elevada.

     O estudo realizado pelo Imds, a partir de dados da revista Forbes, mostra que entre 2013 e 2022, das 95 maiores fortunas no Brasil, 48% eram novas nesse grupo. A China apresenta uma taxa ainda maior: 65%. Estados Unidos (37%) e Índia (35%) apresentam resultados menores.

     Outro aspecto relevante é o grau de concentração da riqueza, expresso pelo percentual de riqueza dos 5 mais ricos. Dos quatro países analisados, o Brasil é o único que apresenta redução na concentração da riqueza entre os mais ricos. Em 2013, as cinco famílias mais ricas (“TOP 5”) detinham 34,2% do total de riqueza do grupo e em 2022 esse percentual caiu para 26,5%. Esse fenômeno foi identificado ainda – embora com menor intensidade – entre as 10 famílias mais ricas (“TOP 10”) e entre as “TOP 50”.

     Essa mesma estatística revela que na China, apesar da maior mobilidade, houve concentração da riqueza. No TOP 5 passou de 18,6% para 20,7%. No TOP 50 passou de 75% para 75,4%. Nos EUA, a concentração de riqueza no TOP 5 passou de 29,5% para 31,4% e no TOP 50 passou de 81,4% para 85,6%. No caso da Índia há aumento de concentração até o grupo TOP 25, mas redução a partir desse grupo.

     Um outro aspecto relevante do estudo diz respeito à posição média em que os novos entrantes ingressam na lista TOP 95. No caso do Brasil, os 46 novos entrantes em média ingressam no meio da distribuição (posição 53), o mesmo ocorrendo na China. Na Índia o grupo de entrantes - apenas 33 - ingressam na parte inferior da pirâmide, posição 64. Já nos Estados Unidos, a posição média de entrada dos 35 novos ingressantes é ainda inferior: 65.

     Essas e outras informações podem ser encontradas na Nota Técnica “Estudando a mobilidade no topo da pirâmide: uma análise a partir das listas da Forbes”, que acaba de ser publicada em nosso site. Não deixem de ler!

     Até a próxima "Carta do Imds"!

     Paulo Tafner

     Diretor-presidente


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Enviado por Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social – Imds

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