| Olá, *|NOME|* Um dos padrões mais bem caracterizados em mercados de trabalho de todas as partes do mundo é que jovens têm maior tendência a estarem desempregados do que os não-jovens. Por exemplo, no 1º trimestre de 2023, 18% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos estavam desempregados, mais que o dobro da taxa dos adultos entre 25 e 54 anos (7,1%).
Esse padrão não é, necessariamente, indício de um problema. A taxa de desemprego entre jovens é, em grande parte, de curto prazo, e decorre do processo de aprendizado inerente aos entrantes no mundo do trabalho e às firmas que os contratam - um processo contínuo de tentativa e erro por parte da empresa e do trabalhador.
Um indicador que permite traçar uma imagem mais completa é a taxa de rotatividade da mão de obra, calculada a partir de painéis longitudinais. A rotatividade excessiva merece mais atenção do que a taxa de desemprego, dado que ela pode impedir que o jovem acumule capital humano específico - aquele que pode ser usado produtivamente apenas em algum setor, ocupação ou empresa. Uma análise feita com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 1996 a 2010 documenta que, em média, de cada 10 jovens empregados, sete se desligaram dos seus postos de trabalho nos 12 meses subsequentes (72,4%), comparado a 41% entre não-jovens. Além disso, uma análise da PNAD-Contínua no período 2015-2019 mostra que há, ao mesmo tempo, queda no percentual de jovens transitando da desocupação para postos formais de trabalho e aumento na transição de ocupados em postos formais para o mercado informal. Junto com a alta rotatividade, esses padrões indicam uma piora da qualidade dessa inserção produtiva no início da vida adulta.
Motivados por esse problema, diferentes instâncias administrativas têm desenhado programas de capacitação profissionalizante para o público jovem - em particular, os jovens vulneráveis. Um exemplo é o programa federal Jovem Aprendiz (PJA), operacionalizado como um subsídio à experiência de trabalho, sob a forma de um contrato temporário formal que combina obrigações de treinamento em sala de aula com capacitação na firma. Uma avaliação de impacto que acompanhou o jovem por até cinco anos após o término do contrato mostrou que o programa é efetivo em aumentar a probabilidade de emprego em contrato permanente de trabalho e tem impacto positivo na redução da rotatividade.
Um fato interessante é que há diferenças nos resultados entre os jovens do programa que iniciam suas carreiras em ocupações de maior ou menor qualificação. Jovens recebendo treinamento em ocupações que exigem menos qualificação não conseguem melhores empregos no curto prazo, mas apenas no médio prazo. Por outro lado, jovens recebendo treinamento para ocupações mais sofisticadas, por sua vez, têm um resultado positivo sobre inserção produtiva tanto no curto quanto no médio prazo.
Esses resultados sugerem que a experiência profissional, mesmo em atividades de baixa qualificação, produz efeitos positivos de médio prazo. Uma hipótese é de que noções de ética do trabalho (como disciplina, pontualidade, compromisso com prazos, entre outras habilidades socioemocionais) têm efeitos de longo prazo sobre a inserção produtiva.
O Imds tem procurado desenvolver, por um lado, pesquisa científica que busque identificar o impacto de longo prazo de programas de capacitação, como o PJA, e por outro, apoiado governos locais no desenho e na avaliação de impacto desse tipo de programa. No primeiro caso, destaca-se a pesquisa “Efeitos de longo prazo de programas de trabalho focalizados no público jovem: Evidências sobre a Lei da Aprendizagem do Brasil (Programa Jovem Aprendiz)”, sendo realizada em parceria com Raphael Corbi, pesquisador do departamento de Economia da Universidade de São Paulo. No segundo caso, como uma das frentes de apoio ao governo do estado do Rio Grande do Sul, o Imds está elaborando Nota Técnica que sintetiza os aprendizados da literatura sobre programas de inserção produtiva para jovens e dando suporte à ideação e avaliação de impacto de programas similares que venham a ser prototipados naquele estado. Até a próxima "Carta do Imds"! Paulo Tafner Diretor-presidente |