2026 - Edição 106 | 22 de setembro |
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Eleições 2026: um panorama dos estados brasileiros |
Novo painel do Imds reúne 228 indicadores e permite acompanhar resultados e trajetórias das 27 Unidades da Federação |
As eleições de 2026 colocam novamente em discussão os principais desafios econômicos e sociais enfrentados pelos estados brasileiros. Segurança, educação, pobreza, mercado de trabalho, saúde e condições para o crescimento econômico estão entre os temas que deverão ocupar o debate público e a agenda dos governos que assumirão ou renovarão seus mandatos a partir de 2027.
Para contribuir para essa discussão com informações objetivas, o Imds lança o Imds Eleições 2026: Panorama Estadual, painel que reúne 228 indicadores sobre as 27 Unidades da Federação, organizados em 12 temas: ambiente de negócios; assistência social; atividade econômica; distribuição de renda e pobreza; educação; situação fiscal; habitação; meio ambiente; mercado de trabalho; mobilidade social, saúde; segurança.
Esta não é a primeira iniciativa do Imds voltada a qualificar o debate eleitoral com base em dados. Em 2022, o Instituto lançou uma edição do Imds Eleições dedicada aos estados brasileiros, reunindo indicadores sobre diferentes dimensões do desenvolvimento econômico e social. Dois anos depois, nas eleições municipais de 2024, a iniciativa foi ampliada com um painel de indicadores municipais. Nesta nova edição, o Imds retoma o olhar sobre as Unidades da Federação, atualiza e amplia o conjunto de informações disponíveis e incorpora uma leitura sistemática das trajetórias estaduais ao longo do tempo.
Mais do que apresentar o dado mais recente disponível, a ferramenta procura responder a três perguntas importantes para compreender a situação de cada estado: “qual é o seu resultado atual?”, “que trajetória percorreu?” e “com quais outros estados faz sentido compará-lo?”.
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Essa combinação é importante porque posição atual e trajetória nem sempre contam a mesma história. Um estado pode apresentar hoje um resultado relativamente favorável, mas estar perdendo posição ou registrando deterioração ao longo do tempo. Outro pode ainda se encontrar em uma situação desfavorável, mas apresentar avanços consistentes. Olhar apenas para o último número disponível pode, portanto, esconder parte relevante do diagnóstico.
Os indicadores de segurança pública ajudam a mostrar essas diferenças. No Amapá, a taxa de homicídios passou de 32,8 por 100 mil habitantes, em 2006, para 57,3 em 2023. Na Bahia, aumentou de 23,7 para 43,9 no mesmo período. São Paulo percorreu trajetória distinta: a taxa caiu de 20,4 para 6,4 homicídios por 100 mil habitantes, chegando em 2023 ao menor nível entre os estados brasileiros.
Na educação, encontramos trajetórias bastante diferentes. No Ceará, o percentual de alunos do 2º ano do Ensino Fundamental com nível adequado de proficiência em leitura passou de 44,9%, em 2021, para 72,1%, em 2023. Em Alagoas, no mesmo intervalo, o indicador variou de 30% para 30,7%.
As diferenças aparecem ainda no mercado de trabalho. Entre os jovens de 18 a 24 anos que não trabalham nem estudam, Santa Catarina registrou redução de 17,5%, em 2012, para 13,5%, em 2025. Em Alagoas, por outro lado, a proporção passou de 27% para 38,2%. Na saúde, entre 2020 e 2025, a taxa de casos de tuberculose aumentou de 79,3 para 99,3 por 100 mil habitantes no Rio de Janeiro e de 53,8 para 69,8 no Rio Grande do Sul.
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O painel também evidencia desigualdades regionais que persistem no país. Os maiores percentuais de pessoas vivendo abaixo da linha de extrema pobreza concentram-se nos estados das regiões Norte e Nordeste, enquanto estados do Sul e do Centro-Oeste apresentam resultados relativamente mais favoráveis. Padrão semelhante aparece em indicadores de informalidade entre os jovens.
Mas a leitura conjunta dos dados também mostra que a divisão regional está longe de explicar todo o desempenho dos estados. Nenhuma Unidade da Federação apresenta sistematicamente os melhores resultados em todas as dimensões analisadas. Isso reforça a importância de evitar diagnósticos baseados em um único indicador ou em comparações isoladas.
Esse é um dos motivos pelos quais o painel não propõe um ranking único dos estados. Para cada indicador, as UFs são organizadas segundo seus resultados, permitindo identificar grupos com situações semelhantes e acompanhar suas trajetórias ao longo do tempo. A intenção é oferecer contexto para a comparação, e não resumir realidades complexas em uma única classificação.
Em um ano eleitoral, esse tipo de informação ganha especial relevância. Séries históricas permitem distinguir problemas recentes daqueles que persistem há anos, identificar mudanças de trajetória e avaliar se determinada situação é particular de um estado ou compartilhada por outras Unidades da Federação. O painel oferece, assim, uma referência comum para cidadãos, pesquisadores, gestores públicos e candidatos interessados em compreender melhor os desafios estaduais.
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Ao disponibilizar essas informações de forma pública e organizada, o Imds procura contribuir para um debate eleitoral mais informado e baseado em evidências. Conhecer o ponto de partida e a trajetória dos estados é uma etapa importante para discutir quais problemas deverão ocupar a agenda dos próximos anos.
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Até a próxima "Carta do Imds"! Paulo Tafner Diretor-presidente |
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