Mesmo entre aqueles que partem de condições econômicas semelhantes, as oportunidades variam conforme o sexo, a cor/raça e o local de vivência da infância. Entre os filhos dos 25% mais pobres, a chance de chegar aos 25% mais ricos é de 11,5% entre as pessoas brancas e de 7,5% entre as não brancas. Entre os homens, essa proporção é de 11,7%, ante 4,9% entre as mulheres.
A nova versão do Atlas da Mobilidade Social também permite comparar os filhos nascidos entre 1983 e 1987 e entre 1988 e 1990. Os resultados apontam mudanças moderadas na direção de maior mobilidade: entre os filhos dos 25% mais pobres, a probabilidade de chegar aos 25% mais ricos aumentou de 7,9% para 8,8%, enquanto entre os filhos dos 25% mais ricos, a permanência no topo caiu de 58,9% para 53,9%. Ainda assim, a hierarquia associada à renda dos pais permanece acentuada.
Os novos recortes também aprofundam a leitura territorial já oferecida pelo Atlas. Entre os filhos dos 25% mais pobres, as chances de chegar aos 25% mais ricos são geralmente maiores no Sul, no Sudeste e em parte do Centro-Oeste, enquanto grande parte do Norte e do Nordeste apresenta probabilidades mais baixas. A plataforma permite observar como a ascensão dos mais pobres e a permanência entre os mais ricos variam pelo território.
O Atlas também incorpora 38 indicadores socioeconômicos municipais, organizados nas áreas de educação, saúde, economia, sociedade e gasto público. Essa nova dimensão permite investigar quais características locais aparecem associadas a maiores ou menores níveis de mobilidade e compreender como diferentes contextos se relacionam com as oportunidades de ascensão.
Entre os indicadores socioeconômicos municipais incorporados ao Atlas, a educação aparece como a dimensão mais associada à mobilidade social. Municípios com melhores indicadores educacionais, como maior IDEB e menor distorção idade-série, tendem a apresentar maiores chances de mobilidade ascendente.
Ao combinar origem familiar, grupos de nascimento, território e contexto local, o Atlas permite investigar para quem, onde e sob quais condições a mobilidade social acontece no Brasil.
Convidamos você a conhecer e explorar a nova versão do Atlas da Mobilidade. Esperamos que os novos recortes contribuam para aprofundar o debate sobre igualdade de oportunidades e para orientar políticas que reduzam o peso da origem familiar e do território sobre o futuro dos brasileiros.