2026 - Edição 102 | 28 de julho |
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O modelo econômico brasileiro precisa auxiliar a mobilidade social |
Apesar dos avanços educacionais, o modelo econômico brasileiro precisa ter papel mais relevante para aumentar a mobilidade social do país |
A educação, dentre todos os vetores da mobilidade social, é, sem dúvida, o principal deles. O aumento da escolaridade média do cidadão permite ganhos individuais relevantes, maior empregabilidade, aumento da produtividade e ganhos econômicos para a sociedade como um todo.
Diferente do que foi no passado, nosso sistema educacional revela que mais de 80% dos jovens entre 15 e 17 anos completam atualmente o Ensino Fundamental, enquanto 70% dos jovens entre 18 e 24 anos completam o Ensino Médio. Esses resultados contrastam com o Brasil de 40 anos atrás, quando aproximadamente 30% dos jovens completavam o Ensino Médio. Nesse mesmo período, o número de jovens que não completaram o Ensino Fundamental caiu a um quarto do que era. É evidente que as coortes mais jovens estão mais escolarizadas que seus pares de três ou quatro décadas atrás. Essa mudança foi particularmente acentuada entre as mulheres, atualmente mais escolarizadas que os homens.
Além de mais escolarizadas, as coortes mais jovens mantêm-se muito ativas no mercado de trabalho, apresentando taxa de participação superior a 70% para todos os grupos etários jovens, com exceção do subgrupo 15 a 17 anos, que apresentou queda relevante nos últimos 20 anos.
Mas, apesar da melhoria educacional e da elevada taxa de participação no mercado de trabalho, não se têm observado, no Brasil, ganhos de produtividade e nem aceleração da mobilidade social, que ainda é muito dependente da escolaridade e da renda dos pais.
Em boa medida isso ocorre porque parte significativa dos jovens, sobretudo os de mais baixa escolaridade ingressam no mercado de trabalho informal, muitas vezes por meio de empresas informais. A informalidade afeta toda a trajetória profissional desses indivíduos, bem como determina a baixa produtividade de parte significativa dos trabalhadores. São empresas informais com trabalhadores informais. São empresas com baixa produtividade com trabalhadores de baixa produtividade. E, mesmo entre empresas formais, a produtividade é baixa.
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Em síntese, apesar da melhoria na educação dos jovens e de boa taxa de participação deles no mercado de trabalho, o fato é que nossa juventude ainda tem escolaridade baixa, tem inserção ruim no mercado de trabalho com ocupações informais e empresas formais de baixa produtividade. Quando ficar mais velha, essa geração sairá precocemente do mercado por obsolescência precoce da força de trabalho. Tudo isso impacta direta e negativamente a produtividade média do trabalhador brasileiro e limita suas possibilidades de ascensão e mobilidade social.
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Isso é facilmente percebido quando olhamos retrospectivamente para nossa economia nos últimos 40 anos. Nosso crescimento econômico está rodando na casa de 2,1% ao ano, em média, correspondendo a metade da média mundial e um terço do crescimento obtido entre 1961 e 1987 (6,1%), ainda que a oferta bruta de mão-de-obra em idade ativa tenha passado, no período, de 42,93 milhões para 146,82 milhões, com crescimento anual de 3,38% e nossa escolaridade tenha avançado muito.
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Sabemos que países que enriquecem aproveitam o “boom” demográfico, combinando investimentos em infraestrutura e capital humano, flexibilizando o investimento privado e aumentando a produtividade. Por aqui, caminhamos no sentido contrário: pouco investimento em capital humano (especialmente em qualidade educacional) e em infraestrutura, regras desencorajadoras ao capital privado e enorme insegurança jurídica
Dados do Banco Mundial revelam que, em 1988, ocupávamos a 75ª posição em no ranking de PIB per capita. Em 2023, caímos para a 91ª posição e nos distanciamos dos demais países - não apenas das nações ricas, mas também daquelas com PIB per capita semelhante. A Coréia, praticamente igual ao Brasil, em 1990, agora tem um PIB per capita 2,64 vezes maior que o nosso. Tailândia, Malásia e Costa Rica, que tinham PIB per capita inferior ao do Brasil, hoje nos superam. E até a Botswana já nos ultrapassou.
Não basta que aumentemos a escolaridade média de nossa população, nem que melhoremos a qualidade de saúde, aumentando a sobrevivência dos indivíduos. É igualmente necessário que nossa economia cresça a passos mais largos, reduzindo a pobreza e criando oportunidades para a juventude que vem se educando mais.
É necessário um novo modelo de desenvolvimento que gere mais riqueza, melhores postos de trabalho e permita que indivíduos vindos das camadas mais desfavorecidas da sociedade possam verdadeiramente usufruir do progresso econômico e efetivar a ascensão de escolaridade, de renda e de mobilidade social.
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Até a próxima "Carta do Imds"! Paulo Tafner Diretor-presidente |
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